Veículos em Operação
Você Sabia...
Novos Projetos
"À volta ao mundo sem emissão de carbono".
13/03/2009

Aquecimento será pior que o esperado

No encerramento do encontro de especialistas em mudanças climáticas que foi realizado em Copenhague nesta semana, Nicholas Stern, reconhecido mundialmente pelo relatório ambiental que leva o seu nome, afirmou que nem ele imaginou que as conseqüências do aumento da temperatura seriam tão devastadoras como agora parecem ser.

Segundo Stern, em entrevista ao jornal britânico Guardian, os políticos falharam ao não tomarem nenhuma iniciativa contundente para o corte das emissões nos últimos anos e que agora já seria tempo de avaliar como minimizar os impactos do aumento de até 6°C nas temperaturas.

“Os políticos entendem o quão difícil vai ficar? O quão terrível um aumento de 4, 5 ou 6 graus centigrados pode ser? Eu acho que não. Olhando para trás, meu relatório subestimou os riscos das mudanças climáticas e também os danos da falta de ação”, disse Stern.

Essas afirmações são respaldadas por outros cientistas, que já dizem que o alvo europeu de limitar o aumento da temperatura a apenas 2°C não é mais realístico. Reforçando essa idéia, o pesquisador Steven Sherwood, da Universidade de Yale, conclui estudos que apontam que é altamente provável um aumento de 4°C ou mais na temperatura média global nesse século.

Catástrofes

“Um aumento de 4°C já criaria todo um diferente regime climático”, afirmou o professor Neil Adger, do Centro Tyndall para Mudanças Climáticas. “Os impactos seriam tão significantes que a única estratégia de adaptação viável é evitar isso a todo o custo. Não existe conhecimento de como vamos nos adaptar para tamanha transformação, é muito alarmante”, revelou Adger.

O relatório de 2007 do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) disse que as temperaturas médias poderiam subir 6°C neste século se não fossem tomadas ações para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Mas agora muitos cientistas consideram que essa previsão pode se confirmar ainda antes que o esperado, dado o rápido crescimento das emissões mundiais.

De acordo com o relatório Stern de 2006, um aumento de 4°C colocaria até 300 milhões de pessoas sob o risco de inundações nas regiões costeiras. Haveria também a redução de 30% a 50% da água potável na África e no Mediterrâneo. Campos de agricultura teriam sua produção reduzida de 15% a 35% na África e de 20% a 50% das espécies de plantas e animais correriam perigo de extinção. Cientistas somaram ainda a essa lista de pesadelos a informação de que 85% da Amazônia desapareceria.

Um aumento de 5°C significaria que cidades como Nova Iorque, Londres e Tóquio poderiam ser ameaçadas pela subida do nível do mar e que a acidez dos oceanos destruiria ecossistemas e afetaria enormemente a pesca.

Agora, se a temperatura subir acima de 5°C, o equivalente ao aquecimento mundial desde a era do gelo, “provocaria migrações em massa das populações e seria uma catástrofe sem semelhantes na história da humanidade”, afirma o relatório Stern de 2006.

Apesar do tom alarmista, que alguns consideram extremado e outros acham que não passa de uma ferramenta de marketing, Stern diz que ainda vê uma solução para o problema. “Por 1% ou 2% do PIB global, podemos manter as concentrações (de carbono na atmosfera) abaixo de 500 partes por milhão, e baixar a partir daí”. Isso diminuiria a possibilidade de um aquecimento de 5°C para apenas 2% ou 3%. Parece bastante bom para mim”, conclui o economista.

Fonte: Fabiano Ávila, da CarbonoBrasil
2009 ® Todos os direitos reservados para Eletra.
Desenvolvido por Market Brasil.