2018 pode ser o ano da mobilidade elétrica no Brasil

As notícias vêm de várias fontes e convergem para a mesma conclusão: 2018 tem tudo para ser o grande ano da mobilidade elétrica no Brasil.

Há bons motivos para otimismo. Os mais importantes são a revolucionária licitação do transporte público municipal de São Paulo e as novas redes de eletropostos que serão inauguradas nas estradas paulistas.

Há ainda o interesse das indústrias automobilísticas, que acordaram para a mobilidade elétrica e preparam vários lançamentos de veículos movidos a energias renováveis. Confira:

1-LEI DO CLIMA

A nova lei de mudança do clima aprovada na Câmara Municipal de São Paulo, no dia 14 de dezembro, fixa metas rigorosas de controle de poluentes da frota de ônibus da cidade.

Entre elas, estão o corte de 50% de gás carbônico (Co²) em dez anos e emissão zero de todos os gases poluentes em 20 anos – o que inclui também os óxidos de nitrogênio (NOx) e os materiais particulados (MP).

Essas metas podem significar a troca de 3.500 a 6 mil ônibus ônibus a diesel por veículos elétricos ou híbridos em uma década. A frota total tem 15 mil ônibus.

A lei também estabelece limites equivalentes para os caminhões que transportam frutas e verduras para o Ceagesp, para os motoristas de táxi e até para os ônibus intermunicipais.

Determina ainda a volta da inspeção veicular para os automóveis – mas essa parte deverá ser vetada pelo prefeito João Doria.

A Prefeitura argumenta que tal medida não pode valer para apenas uma cidade do Estado, como foi no passado, sob pena de provocar uma evasão de licenciamento de veículos para as cidades vizinhas.

2-LICITAÇÃO

Em paralelo com a nova lei do clima, a Prefeitura de São Paulo acaba de lançar o longamente aguardado edital para a licitação que renovará os contratos com as empresas de ônibus.

A grande novidade são as metas ambientais – as mesmas da legislação aprovada na Câmara. A rigor, ainda mais rígidas.

O edital, por exemplo, divulgou uma tabela de 20 anos (abaixo) com as metas de controle de Co², NOx e MP que devem ser cumpridas por cada uma das empresas de ônibus, ano após ano.

Essas metas só poderão ser atingidas se as empresas adotarem um programa arrojado de conversão dos veículos a diesel por elétricos ou híbridos.

A licitação, aliás, dará incentivos econômicos a quem antecipar as metas. Confira a tabela:

Ano           MP           NOx           CO2
0                 0,0%          0,0%           0,0%
1                  24,8%       20,5%          13,6%
2                 33,9%        27,5%          15,3%
3                 39,1%         32,1%          18,0%
4                 61,7%         53,2%          31,7%
5                 78,8%        68,3%          38,1%
6                 82,6%        73,2%          44,9%
7                 85,3%        77,9%           47,7%
8                 87,6%       84,3%           48,7%
9                 90,3%       89,7%           50,4%
10               90,8%       90,2%           55,3%
11                91,3%        90,7%           60,3%
12               91,7%         91,3%           65,3%
13               92,2%        91,8%           70,2%
14               92,7%        92,3%           75,2%
15               93,1%         92,9%          80,1%
16               93,6%        93,4%          85,1%
17               94,1%         93,9%          90,1%
18               94,5%        94,5%          95,0%
19               100%         100%           100%

3-ELETROPOSTOS

Outra medida importante de estímulo à mobilidade elétrica é a ampliação da rede de postos de recarga elétrica nas principais estradas do Brasil.

A empresa de energia EDP, em parceria com a BMW, vai inaugurar seis eletropostos na Via Dutra no primeiro trimestre de 2018.

Outra concessionária de energia, a CPFL, em parceria com a rede Graal, inaugurou em julho mais um eletroposto no eixo São Paulo-Campinas, na Rodovia dos Bandeirantes.

A inauguração consolidou um “corredor elétrico” de 100 km entre as duas cidades mais importantes do Estado.

Os eletropostos são compatíveis com qualquer veículo elétrico e permitem recargas de 80% das baterias em meia hora. Veja onde estão:

-Posto Graal da Via Anhanguera, km 67, sentido São Paulo-Campinas (região de Jundiaí);

-Posto Graal da Rodovia dos Bandeirantes, km 56, sentido Campinas-São Paulo (região de Jundiaí).

Campinas, aliás, avança rapidamente no rumo da mobilidade elétrica.

Ela já sedia a primeira fábrica da chinesa BYD no Brasil e também aprovou uma moderna legislação municipal de transporte coletivo de baixo carbono.

E tem ainda uma respeitável rede de eletropostos dentro do município. Anote os endereços:

-Sede da CPFL Energia: Rodovia Engenheiro Miguel Noel Nascentes Burnier 1755;
-Bosch Service: Rua Fernão Pompeu de Camargo, 800;
-Unicamp: Rua Roxo Moreira, 1488, Cidade Universitária;
-Parque Portugal (Taquaral): Avenida Dr. Heitor Penteado, 815;
-Centro de Convivência: Praça Imprensa Fluminense, Cambuí;
-Hotel Ibis Aquidabã: Avenida Aquidabã, 400;
-Shopping Iguatemi Campinas: Avenida Iguatemi, 777, Vila Brandina;
-Shopping Parque das Bandeiras: Avenida John Boyd Dunlop, 3900.

4-LANÇAMENTOS

Depois de alguma hesitação inicial, as montadoras brasileiras de veículos começam a entrar na irresistível onda verde da mobilidade elétrica.

A Toyota aguarda a aprovação do programa Rota 2030 pelo governo federal para iniciar a fabricação no Brasil do pioneiro híbrido Prius, que chegou ao país em 2013. O Yaris também pode chegar.

Outras empresas também prometem novidades para o biênio 2018-2019.

É o caso da Nissan, com o Leaf, da Chevrolet, com o Bolt, e da Volkswagen, provavelmente com o e-Golf.

A BMW, que importou o i3 em 2014, também renova sua aposta no mercado brasileiro de veículos elétricos.

5-CARGA

No setor de transporte de carga, a Volkswagen saiu na frente em outubro com o lançamento mundial do e-Delivery, o primeiro caminhão elétrico da empresa (foto acima).

Detalhe: o e-Delivery foi lançado em Hamburgo pela MAN Latin America, a divisão de veículos pesados da Volks, com sede em Resende (Rio de Janeiro).

Detalhe ainda mais importante: o e-Delivery foi produzido inteiramente no Brasil com tecnologia de tração elétrica e integração de sistemas da Eletra e motores da WEG – ambas, empresas 100% nacionais.

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  1. Paulo José Gallas says:

    Achei as informações muito alentadoras, uma vez que as emissões de GEE precisam baixar urgente, pois a sobrevivência da humanidade (horizonte de 20-30 anos) é crucial e dependente ao extremo destes gases, que dispersos globalmente, ajuizarão um sabor amargo para todos.
    O que procurava, não encontrei.
    1- quantos eletropostos existem no país? (por região)
    2- Planos futuros de expectativa de crescimento de novos postos até 2025?
    De qualquer modo, espero que brevemente tenhamos mais veículos elétricos e que os Governos (federal, estaduais e municipais) acordem e acolham estes com incentivos ao iso e ampliação deste.
    Abraço,
    Eng. Gallas
    Porto Alegre,julho/18

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