Crianças a caminho da escola sofrem mais com a poluição

Um estudo da ONG britânica Global Action Plan conclui que as crianças das principais cidades do Reino Unido inalam 30% mais poluentes da atmosfera do que os adultos, durante o trajeto entre suas casas e a escola.

O motivo é simples: por causa da altura, as crianças estão mais expostas do que seus pais aos gases do escapamento dos veículos nas ruas.

O estudo recomenda fortemente que os pais evitem as ruas de tráfego intenso para levar seus filhos à escola.

Segundo os autores, circular com as crianças em ruas mais tranquilas pode reduzir em até duas vezes e meia a exposição aos materiais particulados e óxidos de nitrogênio – os principais poluentes nas grandes cidades.

SEM CARROS

Outra recomendação é evitar levá-las de carro. A pesquisa conclui que a poluição inalada dentro de um veículo é 50% superior à inalada na rua.

O estudo acompanhou crianças e adultos em Londres, Manchester, Leeds e Glasgow (a maior cidade da Escócia), no trajeto entre casa e escola.

Eles portavam medidores de poluição do ar e foram monitorados por dez minutos, em quatro situações diferentes: caminhando em vias de tráfego intenso, em ruas de pouco movimento, dentro de carros e dentro de ônibus.

O estudo concluiu que as crianças ficam mais expostas à poluição do que os adultos em todas as situações.

Essa exposição afeta o desenvolvimento dos pulmões e aumenta os riscos de problemas respiratórios como asma, bronquite e gripes, além de facilitar a ocorrência de problemas cardíacos na idade adulta.

O estudo fez parte da campanha promovida em torno do Dia do Ar Limpo, que este ano foi comemorado em 21 de junho.

A Global Action Plan é uma entidade de defesa do desenvolvimento sustentável sediada em Londres, com foco em crianças e jovens. 

PULMÕES

Um artigo publicado pela Associação Americana de Pulmões já tinha chegado a conclusões semelhantes desde fevereiro deste ano.

O artigo diz que a poluição é mais perigosa para as crianças porque seus pulmões e alvéolos só chegam ao pleno desenvolvimento depois da adolescência e porque, por serem mais ativas, elas respiram mais intensamente do que os adultos.

A associação cita um estudo realizado entre 1993 e 2001 com 1.759 crianças de cidades do Sul da Califórnia, com idades entre dez e 18 anos.

Esse estudo conclui que o risco de diminuição da função pulmonar dessas crianças por causa da exposição a áreas de alta poluição do ar foi equivalente ao de elas viverem em casas com pais fumantes.

Em 2017, uma revisão desse estudo descobriu que as medidas para reduzir a poluição do ar empreendidas ao longo de 20 anos na mesma região do Sul da Califórnia melhoraram substancialmente a saúde das crianças.

Os pesquisadores constataram que no período mais recente dos estudos (entre 2003 e 2013) houve menos casos de bronquite, tosse crônica, asma, resfriados comuns e até conjuntivite do que no período inicial (entre 1993 e 2001).

“Vinte anos de dados coletados providenciaram uma forte evidência do potencial de melhoria da saúde das crianças com a redução de alguns dos mais comuns poluentes atmosféricos” – concluiu o artigo da Associação Americana de Pulmões.

 

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