USP: transporte elétrico será padrão mundial em dez anos

Em dez anos, o veículo elétrico será “o produto padrão” da indústria automobilística mundial, prevê o professor Marcelo Augusto Leal Alves, do Centro de Engenharia Automotiva da Escola Politécnica da USP.

Essa tendência será ainda mais rápida e fácil no transporte coletivo, pois os ônibus têm mais espaço para abrigar as baterias do que os carros.

“O transporte coletivo se presta muito mais a ser eletrificado” – disse ele em entrevista à Rádio USP, no dia 21/3 (aqui).

Marcelo Alves, da USP

Em sua análise, o transporte elétrico é uma tendência sem volta, não apenas pela nova agenda ambiental do planeta mas pela entrada da China nesse mercado.

“As mudanças na geopolítica da indústria automobilística vão acelerar a eletrificação muito mais do que a gente imaginava há cinco ou dez anos”.

Marcelo Alves – que também é professor do curso de engenharia mecânica da Poli-USP – citou o exemplo da americana Tesla para destacar a revolucionária mudança de paradigma em curso na indústria automotiva.

As tecnologias de desenvolvimento e recarga de baterias para veículos elétricos – disse – exigirão redes elétricas inteligentes nas casas e locais de trabalho e novos métodos de cobrança do consumo de energia.

“O negócio do carro elétrico vai envolver também a produção e distribuição de energia, vai mudar a forma de venda de energia”.

E O BRASIL?

O professor reconhece que, embora o momento atual seja de “tecnologia zerada”, em que “todo o mundo está aprendendo a fazer carro elétrico”, os empreendedores brasileiros estão longe desse mercado.

Lembrou a iniciativa pioneira da Gurgel, uma empresa automobilística 100% nacional, que apresentou o primeiro carro elétrico brasileiro no início dos anos 70: o Itaipu E150.

O carro não vingou pelo alto custo e a falta de autonomia das baterias. Mais tarde, nos anos 90, a empresa fechou.

Segundo Marcelo Alves, o desenvolvimento de veículos elétricos e baterias competitivas ainda exige muito dinheiro. “Infelizmente, aqui no Brasil a gente está na margem”.

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