Prefeitura e empresas querem mais mulheres no volante

Num debate nesta segunda-feira (22/01), o secretário de Transportes de São Paulo, Sergio Avelleda, e o presidente do sindicato das empresas, Francisco Christovam, defenderam mais mulheres no volante dos ônibus paulistanos.

Esse foi um dos temas do painel sobre a nova licitação do transporte público, em seminário de mobilidade urbana promovido pelo jornal “Folha de S. Paulo” no instituto Unibes Cultural (Zona Oeste).

Avelleda citou uma experiência-piloto realizada no Rio de Janeiro, que comprovou queda acentuada dos acidentes provocados por ônibus dirigidos por mulheres.

Como os índices de acidentes serão um dos fatores de remuneração das empresas, conforme o edital da nova licitação paulistana, a formação profissional voltou ao centro do debate sobre o transporte público.

Além disso, as metas ambientais do edital levarão as empresas a adotar ônibus elétricos e híbridos de alta tecnologia, o que exigirá mais qualificação dos motoristas.

HÁ VAGAS

Francisco Christovam, presidente do SPUrbanuss, defendeu a presença feminina nos ônibus e lamentou a dificuldade das empresas em atraí-las para a profissão.

“As mulheres são mais cuidadosas, ela não têm essa relação de poder com os ônibus que os homens costumam ter”, afirmou.

“Um motorista é capaz de querer jogar um ônibus de 23 m em cima de um automóvel porque foi fechado ao fazer a curva; as mulheres, não”.

Christovam mencionou a portaria assinada pelo então prefeito Fernando Haddad, em dezembro de 2015, que fixou uma cota de 30% para mulheres nos empregos do transporte público.

“As empresas não conseguiram preencher as vagas para motoristas, as mulheres não querem dirigir” – disse.

Em 2016, dos 34.490 motoristas de ônibus do sistema de transporte de São Paulo, apenas 1.039 eram mulheres – em torno de 3%. Esse porcentual é parecido no Rio de Janeiro.

Em 2014, a Escola Pública de Trânsito do Detran-RJ ofereceu um curso gratuito de formação de mulheres motoristas. O objetivo – formar duas mil profissionais – não foi atingido.

Mas as mulheres que entraram no mercado de trabalho do transporte carioca mostraram-se muito mais cautelosas no trânsito e no trato com os passageiros, observou o secretário Sergio Avelleda.

TELEMETRIA

O secretário lembrou que a próxima licitação vai prever, obrigatoriamente, sistemas de telemetria em todos os 14.400 ônibus da frota operacional paulistana.

A telemetria registrará, a cada viagem do ônibus, se o motorista fez acelerações ou freadas bruscas, se ultrapassou o limite de velocidade ou se fez uma curva com ângulo muito fechado.

“Ao final do trajeto de cada linha, todos os dias, o motorista vai saber se sua condução teve luz verde, amarela ou vermelha” – disse Avelleda.

Um dos participantes do debate, Gabriel Tenenbaum, do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento, cobrou da Prefeitura um prazo maior para a atual etapa de consulta pública do edital.

O edital dos ônibus de São Paulo foi publicado no dia 20 de dezembro e está aberto a críticas e sugestões públicas até 3 de fevereiro.

Avelleda admitiu ampliar o prazo. “Se houver uma avaliação de que é preciso mais tempo, nós prorrogaremos sem problemas”.

REDUÇÃO DA FROTA

O secretário também negou que a redução da frota de ônibus, prevista na licitação, possa prejudicar os usuários.

Disse que a redução (em torno de 2 mil veículos) será necessária para racionalizar o serviço e evitar a superposição de linhas, e já estava prevista desde a gestão do prefeito Fernando Haddad.

Lembrou que uma das metas do edital prevê aumento do número de vagas oferecidas por ônibus, de 76, em média, para 90.

Outra meta é ampliar a cobertura em quilômetros de ruas percorridas por linhas de ônibus, de 4.680 para 5.100 (a cidade tem 17 mil km de ruas).

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