Estudo nos EUA liga poluição do ar a problemas mentais

Um estudo da Universidade de Washington (EUA) levantou os primeiros indícios de que a poluição do ar pode estar na origem de distúrbios psicológicos, como estresse e ansiedade.

A pesquisa acompanhou 6 mil voluntários entre 1999 e 2011, e seus resultados foram publicados na edição de novembro de 2017 da revista acadêmica americana “Health & Place”.

Os cientistas recolheram evidências empíricas de que a exposição a cargas elevadas de material particulado MP 2,5 pode ser um fator de risco para doenças mentais.

“Essa pesquisa nos coloca numa nova trajetória sobre os efeitos da poluição do ar” – disse Anjum Hajat, professor de epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Washington, um dos autores.

“Os impactos (da poluição) na saúde cardiovascular e pulmonar já eram bem conhecidos; essa área da saúde cerebral é completamente nova”.

O MP 2,5 expelido por motores a combustíveis fósseis, como os de ônibus a diesel e automóveis a gasolina, é um dos mais graves poluentes da atmosfera das grandes cidades

O MP 2,5 é formado por micropartículas de material sólido ou líquido em suspensão no ar, com diâmetro de até 2,5 micrômetros, ou mícrons (a milésima parte do milímetro).

Diferentemente do MP 10, o MP 2,5 não é eliminado dos alvéolos pulmonares quando inalado, podendo rapidamente chegar à corrente sanguínea.

RESULTADOS

Os seis autores (abaixo) divulgaram suas conclusões no artigo “Os Efeitos da Poluição do Ar no Estresse Psicológico Individual”.

Durante 12 anos, eles acompanharam o estado psicológico de 6 mil moradores de áreas residenciais de diferentes cidades dos Estados Unidos.

E correlacionaram os relatos de tristeza, depressão, desânimo, ansiedade e irritação a medições anuais da poluição atmosférica nos locais onde viviam os entrevistados.

Os resultados foram surpreendentes:

1-A exposição a taxas altas de material particulado MP 2,5 está positivamente associada a estresse psicológico crescente.
2-Nos locais em que o nível de MP 2,5 estava acima de 21 micrômetros por metro cúbico de ar – quase o dobro do limite de segurança de 12 mícron/m³ fixado pela Organização Mundial de Saúde -, os relatos de estresse psicológico foram 17% superiores aos dos locais de baixa poluição (em torno de 5 mícron/m³).
3-Essa correlação positiva se manteve consistente mesmo quando a amostra dos entrevistados foi ajustada por critérios demográficos, socioeconômicos ou por protocolos de saúde.
4-Os pesquisadores, porém, não constataram correlação significativa na presença de níveis elevados de NOx (óxidos de nitrogênio) e de material particulado MP 10 – ela só foi constatada com o MP 2,5.
5-Em áreas exposta a altas concentrações de MP 2,5, o estresse registrado entre homens negros foi 34% superior ao de homens brancos e 55% acima dos latinos.
6-Nas mesmas condições, o estresse foi 39% mais frequente entre mulheres brancas do que entre negras ou latinas.

Os pesquisadores não avançaram em explicações sobre as causas desses resultados.

Limitaram-se a apresentar os números, e disseram que pesquisas mais profundas terão de ser feitas.

Os autores do estudo são: Victoria Sass, Nicole Kravitz-Wirtz, Steven M. Karceski, Anjum Hajat, Kyle Crowder e David Takeuchi.

O artigo na “Health & Place” só está acessível a não assinantes mediante pagamento.

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