Contrato dos ônibus poderá ser flexível, conforme a tecnologia

27 junho 2017
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O presidente da SPTrans, José Carlos Martinelli, disse nesta segunda-feira (26/6/17) que os futuros contratos com as empresas de ônibus da cidade de São Paulo poderão ter vigência superior aos dez anos inicialmente previstos para quem optar por veículos com novas tecnologias, como os elétricos ou híbridos.

Admitiu que um contrato de apenas dez anos poderia inibir os empresários interessados em trocar seus ônibus a diesel e apostar em novas tecnologias de baixa emissão de poluentes.

Isto porque os veículos elétricos ou híbridos – cuja vida útil é frequentemente superior a 15 anos, muito acima dos dez anos dos modelos a diesel – demandam um período maior de amortização do investimento inicial.


José Carlos Martinelli, da SPTrans

FLEXIBILIZAÇÃO

Ao responder a uma pergunta da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, o presidente da SPTrans afirmou que enviará à equipe que prepara o edital dos novos contratos a sugestão de mudar ou flexibilizar o prazo.

“Talvez possamos diferenciar os prazos (dos contratos) por tecnologia, de acordo com a vida útil de cada tecnologia”, disse.

A Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT) divulgará em julho o edital com as regras da licitação para os futuros contratos dos 15 mil ônibus de São Paulo, a partir de 2018.

Martinelli participou, na noite de segunda-feira (26/6), na Administração Regional da Sé, de uma das várias audiências regionais sobre o edital programadas para esta semana.

Ele apresentou as linhas gerais da proposta da SMT e respondeu a perguntas de cerca de 20 pessoas da platéia.

METAS DE POLUIÇÃO

Voltou a dizer que o edital não especificará quais tecnologias devem ser adotadas nos futuros contratos.

Mas garantiu que a licitação fixará metas anuais “rígidas” de controle de poluentes emitidos pelos ônibus, como CO² (gás carbônico), NOx (óxidos de nitrogênio) e MP (material particulado lançado na atmosfera).

Para evitar burlas,  acrescentou que os controles de poluentes “serão mais discricionários” e poderão ser fixados “por áreas de operação, por empresa e até por garagem”.

“A Administração Municipal está comprometida com uma política efetiva de redução da poluição; não vamos deixar brechas”.

Ao responder a outra pergunta da ABVE, disse que encaminhará a proposta de que as metas de controle de poluentes também sejam um dos fatores a ser levados em conta na remuneração dos operadores.

O plano inicial da Secretaria previa que a remuneração fosse ponderada pelos seguintes critérios: passageiros transportados, segurança da operação, disponibilidade de ônibus nas linhas, cumprimento dos prazos das viagens e satisfação do usuário.

RUÍDOS

Em resposta a uma proposta de integrantes do Conselho Participativo Municipal, o presidente da SPTrans também comprometeu-se a encaminhar a sugestão de incluir no edital metas de ruído produzido pelos ônibus.

Se fixadas, essas metas tendem a beneficiar os veículos elétricos e híbridos, que são muito mais silenciosos do que os modelos convencionais a diesel.

TRÓLEBUS

Uma das novidades da licitação será a possibilidade de as empresas de ônibus assumirem os custos de manutenção das vias e da rede elétrica aérea dos trólebus.

Martinelli assegurou que os 201 trólebus atualmente em circulação serão mantidos nos futuros contratos.

Perguntado se a frota trólebus poderia aumentar, já que a rede aérea disponível está subutilizada, deu uma resposta indireta.

Disse que os operadores de trólebus também terão metas de redução de poluentes em suas linhas – dando a entender que atingir tais metas só será possível com mais veículos elétricos.

IPK

O presidente da SPTrans reiterou que a Secretaria fará uma revisão das linhas para reduzir os custos do sistema, que ficará em torno de R$ 7,7 bilhões em 2017, depois de já ter ultrapassado R$ 8 bilhões/ano.

A prioridade – disse – será aumentar a oferta de ônibus na periferia e eliminar “a sobreposição de linhas” em várias regiões da cidade.

Martinelli evitou afirmar se a Prefeitura trabalha para aumentar o índice de passageiros transportados por quilômetro (IPK).

Mas negou que o IPK médio do transporte público paulistano seja baixo.

“No sistema local, o IPK está em torno de 4 passageiros por quilômetro. No sistema estrutural, está um pouco baixo (não disse quanto), mas a média de todo o sistema está em torno de 3,5”.

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